Havíamos nos casado havia pouco tempo, e eu comecei a exigir que minha esposa Karem se comportasse e se vestisse da maneira certa — da forma como eu esperava que minha esposa se comportasse.
Vestidos, saias e tudo o que fosse bem feminino. Quanto à atitude, nada menos do que submissão total, sob ameaça de ser jogada na rua.
Discutíamos com frequência, e um dia cometi o erro de dar um tapa em seu rosto. Naquele dia ela prometeu que me faria pagar. E assim fez.
De repente, passei a me sentir mais fraco a cada dia. Meu corpo mudava, e minha atitude também. Eu não discutia mais com ela, mesmo quando passou a se vestir de forma desleixada, quase masculina.
Tomei coragem e perguntei se ela não usaria mais os vestidos bonitos que eu havia comprado. Ela me olhou nos olhos e perguntou:
— Por que você não os usa?
— E-eu?!
— Sim. Somos do mesmo tamanho, portanto eles devem te servir direitinho.
— Não somos, não. Sou maior que você. Além do mais, eu sou homem e…
Ela me pegou forte pelo braço. Tentei me livrar, mas era inútil: de algum modo, Karem estava muito mais forte do que eu. Naquele momento notei algo ainda mais estranho: ela e eu éramos da mesma altura agora. Em seguida, pegou um dos vestidos e gritou para que eu o vestisse.
Pela primeira vez senti medo de verdade e acabei fazendo o que ela mandava. Coloquei o vestido e, para minha surpresa, ele me serviu perfeitamente.
— Ficou perfeito. De agora em diante, você só vai vestir este tipo de roupa: vestidos, saias e tudo o que for feminino. Entendeu?
— Mas… Sim, Karem.
Obedeci. A cada dia as coisas ficavam mais estranhas. Meu corpo mudava: eu ganhava curvas e perdia músculos. Ao mesmo tempo, Karem também mudava, mas no sentido oposto. Ela ficava maior e ganhava traços cada vez mais masculinos.
Eu achava que estava enlouquecendo, porque as pessoas pareciam não notar nenhuma das mudanças em nós e nos tratavam com total naturalidade.
Certo dia encontrei um livro estranho entre as coisas dela. Parecia antigo, cheio de símbolos esquisitos. Quando perguntei, Karem disse que não era da minha conta e que eu deveria preocupar minha cabecinha com outras coisas. Hoje tenho certeza de que a origem de tudo estava ali, em alguma espécie de magia. Mas, de algum modo, eu já não conseguia mais me concentrar nisso. Minha “cabecinha” simplesmente resistia ao meu desejo de desvendar o mistério.
Meu pênis havia desaparecido havia semanas quando, certo dia, ouvi Karem gritar:
— Finalmente!
Ela estava com o short abaixado, exibindo um pênis enorme.
— Querida, se prepare, porque esta noite eu vou te usar!
A partir daquela noite assumi completamente meu novo papel de esposa submissa. Karem hoje se chama Carlos, e eu me chamo Virgínia. Só uso roupas femininas, cuido da casa e do meu marido. Eu poderia fugir, tentar encontrar uma solução para voltar ao normal. Mas acabei me apaixonando pelo homem que Karem se tornou. E também descobri que ser mulher, esposa e submissa não é tão ruim. Na verdade… é delicioso!