Carlos ficou em choque, sem conseguir demonstrar qualquer reação ao ouvir as palavras do médico. Por mais absurdas que parecessem, as sensações do seu corpo confirmavam que era verdade.
Era uma tarde chuvosa. Carlos havia ido buscar Karina, sua irmã mais nova, na rodoviária, pois ela passaria alguns dias em sua casa.
Um cachorro atravessando a rodovia o fez tentar desviar bruscamente. Ele perdeu o controle do veículo e bateu contra um muro. Era isso o que, aos poucos, Carlos conseguia lembrar.
Dias depois, ele acordou. A enfermeira chamou o médico imediatamente. Carlos estranhou quando ouviu a mulher se referir a ele como “ela”.
Após explicar vários detalhes sobre o que havia acontecido com ele e com a irmã no acidente, o médico revelou a terrível verdade: ambos estavam prestes a morrer. A única alternativa era tentar um procedimento experimental e revolucionário: o transplante de cérebro.
Karina não sobrevivera. E aquela era a única forma de salvar a vida de Carlos.
Em seguida, o doutor informou que ele agora estava bem e fora de perigo. Apenas havia um detalhe crucial: seu cérebro agora habitava o corpo de Karina.
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