Carlos duvidou, em certos momentos, de que isso seria mesmo possível. Perguntava-se se seu amigo, o Dr. Guilherme, estava realmente dizendo a verdade. Que ele, um homem de 63 anos, poderia ter o cérebro transplantado para um corpo jovem.
Depois de concordar em participar do experimento, o Dr. Guilherme aparecia a cada semana com fotos de corpos que encontrava no necrotério do hospital e que poderiam ser usados no processo.
Os corpos eram de homens de todos os tipos, mas em nenhum deles Carlos conseguia se imaginar. Até que um chamou sua atenção.
— Acho que gostei... deste — disse Carlos, meio acanhado.
— Este? Desculpe, essas fotos eu incluí por engano. Afinal, é de uma...
Nesse momento, o médico olhou para Carlos e percebeu que ele falava sério.
— Tem certeza, Carlos? Uma vez transplantado para o novo corpo, não haverá como voltar ou trocar novamente. Quer mesmo isso?
— Sim, Guilherme. Nunca contei a ninguém, mas desde criança eu usava roupas de mulher escondido. Talvez seja o destino você me propor essa troca e agora me mostrar esse corpo. Assim que coloquei os olhos nessas fotos, eu soube que tinha de ser ela.
Me coloque neste corpo.
— Se é isso mesmo que quer, vou trazê-lo ao meu laboratório amanhã. Então realizaremos o transplante.
Tudo aconteceu muito rápido, e logo Carlos se viu sentado na maca em seu novo corpo feminino, após o último exame. Sentia sua pele macia, os cabelos longos e sedosos. Seus seios fartos e firmes, e o vazio entre as coxas ao cruzar as pernas. Carlos sabia que tinha tomado a decisão certa.
— O que pretende fazer agora, Carlos? Não pode andar por aí como uma garota oficialmente morta.
— Não se preocupe, Guilherme. Vou sair de São Paulo, me mudar para uma cidade onde ninguém me conheça. Vou arranjar algum trabalho simples, tipo secretária ou recepcionista. Algo que pague as contas, mas que não exija muito, pois pretendo curtir ao máximo minha nova vida como mulher. Depois de algum tempo, se eu tiver sorte e encontrar o homem certo, quero me casar e ter filhos. Ah, e não me chame mais de Carlos. Agora atendo por Patrícia.
— Bem, Patrícia, lhe desejo boa sorte. Aproveite a vida.
— Muito obrigada, doutor. Pode ter certeza de que vou aproveitar mesmo!