Eu nunca quis ser mulher. Só queria jogar futebol profissionalmente.
Apesar de anos de treino e esforço, nunca consegui me destacar e comecei a achar que meu sonho de ser jogador era impossível.
Certo dia, um treinador me chamou para conversar e disse:
– Beto, você é baixo para um homem, rápido e não é muito masculino... pode ficar passável!
Achei que era uma piada. Pensei que ele queria me humilhar, mas depois de mais algumas horas de conversa, acabei aceitando.
Eu disse a mim mesmo que seria só por um tempo, para sentir o gosto de jogar como profissional, e que logo sairia.
Depois de algumas mudanças na minha aparência e de aprender a me comportar e falar como uma garota, fui introduzido ao time. As outras jogadoras não perceberam nada; na verdade, percebi que algumas, apesar de serem mulheres, eram mais masculinas do que eu.
Agora, eu me destacava e jogava bem, sempre marcando gols ou armando para que outras colegas fizessem o mesmo.
Então, as mudanças começaram. Além de proteína e creatina, o treinador me fez tomar outros “suplementos”, sem descrição no rótulo, com apenas o nome do laboratório de manipulação.
Ele disse que aquilo melhoraria minha performance, mas o que percebi foi que meu corpo estava ficando mais suave, as pernas mais grossas, cintura mais fina e bumbum grande e redondo, e logo eu não precisaria mais de enchimentos no peito. Até meu rosto mudou, tornando-se mais delicado.
De repente, comecei a receber mensagens dos homens, e não eram sobre o meu futebol. Enviavam convites e cantadas. Me chamavam de “a mais gostosa do time” e coisas assim.
Quando me dei conta, aquilo não era mais um disfarce. Eu havia me tornado realmente a Roberta, e já não queria mais abandonar essa vida nem minha identidade feminina.
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