quarta-feira, 4 de março de 2026



Droga! Ela não vem! — pensou Samuel.

Combinamos isso no dia da troca, há uma semana. Camile deveria me encontrar neste bar, e então iríamos destrocar de corpos. Mas ela já está atrasada quarenta minutos.

Só aceitei porque ela prometeu que seria temporário, que bastaria ela fazer a magia novamente e voltaríamos aos nossos corpos. Nunca havia pensado em ser mulher, mas durante a conversa acabei ficando curioso. Camile disse que era da experiência, que eu passaria a conhecer e entender bem melhor as mulheres, sendo uma por uma semana. Ela tinha razão quanto a isso.

Ser mulher não é tão ruim quanto eu imaginava, e até que tem vantagens bem interessantes.

Foi legal, mas e se eu tiver de ficar assim pro resto da vida? Ter este corpo, estes seios, esta vagina… Não! Não posso ficar desse jeito. Aqui dentro ainda sou homem e terei meu corpo de volta.

Assim que voltar a ser eu mesmo, vou sair com tantas garotas quanto conseguir e esquecer o que fiz com o Paulinho.

Esquecer que ele me convenceu a experimentar o sexo, que senti o pênis dele me penetrando forte. Deixar de pensar em todo o prazer que este corpo é capaz de proporcionar. De como gritei de prazer naquela noite e disse como era bom ser mulher. Não posso nem pensar nisso que este corpo já começa a reagir. Meus mamilos endurecem e fico úmida entre as pernas.

Sim, Camile vai vir com meu corpo, vamos para os fundos do bar e então, em minutos, terei meu pênis de volta.

Cadê ela?

Tem um cara me olhando. Nossa, ele é bem grande e forte… Essa não! Eu olhei demais e o cara entendeu como se eu estivesse interessada. Ele vem vindo. Tenho de dar um fora nele já.

— Oi! O que uma mulher linda como você faz sozinha por aqui?

— Eu estou esperando um… uma amiga.

— Que tal se eu te fizer companhia até ele chegar?

— Não, eu…

— É só uma conversa. Eu te pago uma bebida e, ao mesmo tempo, te livro de ter de encarar algum bêbado chato até sua companhia chegar. Que tal?

— Bem… tá bom. 


Eu juro que tentei.

Fiquei naquela bar até a madrugada, esperando. Camila não apareceu.


Quando agradeci a bebida e tentei me despedir do homem que tinha me feito companhia a noite inteira, ele se ofereceu para me levar para casa. Aceitei. Àquela altura já sentia que o conhecia bem o suficiente, ou pelo menos queria acreditar nisso.


No caminho, passamos por um motel. Ele entrou com o carro sem hesitar, sem nem perguntar. Eu deveria ter dito não, deveria ter falado qualquer coisa. Fiquei em silêncio enquanto ele estacionava na garagem de um dos quartos, a porta automática descendo atrás de nós.

Fiz o papel da garota. Deixei ele me guiar para dentro, que tirasse minha roupa devagar, que beijasse meu pescoço, meus seios. Quando ele me penetrou, soltei um gemido alto. Entendi que, no fundo, era exatamente isso que eu queria. Que eu precisava.


Transamos durante horas. Foi melhor do que com meu amigo. Ele era maior, mais bem dotado. Sabia exatamente como fazer uma garota feliz na cama. 


Depois daquela noite nunca mais voltei a procurar meu antigo corpo. Eu sou a Camila. E quero ser mulher pelo resto da vida.


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