sábado, 10 de janeiro de 2026


 

Quando alguém pergunta se eu e a Natália somos irmãs, nós dizemos que sim. Afinal, seria complicado explicar que, na verdade, somos pai e filha.


Tudo começou anos atrás, quando minha ex-mulher se apaixonou por outro homem e nos abandonou. Na época, eu me chamava André, era um homem de 39 anos, e Natália era apenas uma criança.


Minha filha entrou em depressão. Não aceitava ter sido abandonada pela mãe. Segui o conselho de um amigo e apresentei a ela uma garota com quem eu estava saindo, mas Natália ficou furiosa e isso só piorou as coisas.


Quando já não sabia mais o que fazer, vi o anúncio de uma das clínicas de mudança genética e tive uma ideia. Depois de acertar tudo no trabalho e com a família, fui até a clínica e de lá saí como uma mulher. Agora eu era Andréia, uma mulher de meia-idade. O plano era ficar assim por alguns meses, até que minha filha se sentisse melhor, mas não foi bem desse jeito.


Natália levou um susto ao me ver do mesmo sexo que ela, mas logo aceitou e passou a me tratar como mãe. Com isso minha filha rapidamente melhorou, voltou a sorrir e de repente era uma menininha feliz novamente.


No início foi complicado, mas me surpreendi com o quão rápido me acostumei a ser mulher. Logo parecia que eu sempre fora assim. O tempo foi passando, e eu empurrava para frente o dia em que me tornaria homem novamente.


Natália entrou na adolescência, e eu, agora uma senhora, não podia mais estar presente o tempo todo. Ela precisava mais de uma amiga do que de uma mãe.


Foi então que me lembrei do motivo pelo qual havia me tornado mulher. Essa razão já não existia mais, e eu poderia voltar a ser o André. Ao acessar o site da clínica, porém, descobri algo interessante: eles agora tinham um processo de rejuvenescimento.


Não demorei muito para tomar a decisão e, na semana seguinte, eu e minha filha aparentávamos ter a mesma idade. Eu podia agora estar mais presente, como se fosse mesmo uma irmã.


A situação se inverteu, porque Natália passou a ser quem tinha de me ensinar as coisas: como me vestir, agir e me relacionar sendo uma jovem mocinha. Se antes acabei gostando de ser mulher, agora estou amando ser jovem, bonita e descompromissada. Ainda mais porque que passei a achar os rapazes bem… interessantes.

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