Já faz três meses, e meu corpo continua mudando.
Quando fiz o tratamento para mudar de sexo, eu tinha medo de não me tornar feminina, de não ganhar curvas e seios bonitos.
Os médicos avisaram que era meio que uma loteria. Se eu puxasse para o lado da família em que as mulheres eram mais “avantajadas”, eu me tornaria como elas. Caso contrário, poderia apelar para implantes.
Bem, parece que puxei para o lado do meu pai. Minhas tias são bem do tipo gostosonas.
Já vai ser a terceira vez que troco de sutiã, e além de não ser fácil achar os corretos para o tamanho — e que sejam confortáveis —, essas coisas são caras.
Quando a gente é homem e vê uma garota com seios grandes, não imagina o lado ruim: o fato de estar sempre consciente de algo no peito; das alças do sutiã pesarem e até machucarem os ombros; de não poder usar qualquer tipo de roupa para não parecer gorda; de correr sem algo que os aperte contra o corpo ser totalmente fora de cogitação.
Quando já estou me adaptando, descubro que a minha transformação ainda não terminou. Ainda não terminei de me tornar a minha versão mulher.
Ah… a quem quero enganar? Eu adoro ter essas curvas. Gosto de chamar a atenção dos homens. Do olhar de inveja das outras mulheres quando apareço com um decotão, atraindo olhares e desejos.
Tem seu lado ruim ser assim? Tem.
Mas vale muito a pena, e eu não desejaria que fosse de outra forma.
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