— Silmara? Caramba, é você mesma! Quanto tempo! — disse Murilo ao reconhecê-la. — Tá diferente… o cabelo, a roupa… poxa, tá linda!
— Obrigada, mas… eu não sou exatamente a Silmara. Quer dizer, este é o corpo dela, mas a gente trocou. Meu nome era Eduardo. Então eu não te conheço. Desculpa.
— Sério? — Murilo arregalou os olhos. — Puxa, eu nunca tinha encontrado alguém que realmente passou por isso. Faz quanto tempo que vocês trocaram?
— O processo levou quase um ano, mas a troca em si aconteceu há duas semanas. Ainda tô me adaptando, sabe.
— Que loucura… Mas olha, tá bem mais bonita agora. A Silmara não usava roupas assim, e o cabelo era mais curto.
— Obrigada. — Ela sorriu meio sem graça. — Tô mudando o guarda-roupa dela aos poucos… e coloquei aplique no cabelo.
— Sabe, a gente trabalhava na mesma empresa. Eu tinha uma queda pela Silmara. Cheguei a tentar alguma coisa, mas ela foi bem clara: não curtia homem. Foi quando entendi o jeitão dela… ela era lésbica. Mas agora você parece tão… feminina.
— É porque eu sou hétero.
— Hétero? — ele repetiu, confuso por um segundo. — Como assim?
— Estou num corpo de mulher, sou mulher e gosto de homem.
— É mesmo?! — Murilo abriu um sorriso enorme. — Então que tal a gente pegar uma mesa ali? Eu te pago um drink.
— Sim! Eu adoraria!
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