segunda-feira, 5 de janeiro de 2026


 

— Jessica, eu consegui! Estou fazendo xixi como mulher!

Gritei do banheiro para Jessica, que estava do outro lado da porta. Para ela, não era nada demais, mas para mim era a primeira vez — depois que nós dois voltamos da clínica de troca de corpos.

Eu sempre quis saber como era ser mulher. Com a criação das clínicas que realizavam esse procedimento, bastou encontrar uma garota que quisesse o mesmo e aceitasse ficar no meu corpo de homem por um tempo.

Jessica era amiga da minha irmã. Eu me lembrei de um jantar em que ela se queixava de ser mulher e dizia que, se houvesse próxima encarnação, queria voltar como homem.

As duas já haviam perdido o contato, mas consegui encontrá-la pelas redes sociais. Conversamos bastante e, depois de um tempo, ela topou a experiência.

— É bem esquisito... sentir o xixi escorrendo de dentro de mim, sem ter um pênis ali.

— Tenha certeza de que vai experimentar muitas coisas estranhas a partir de agora. Vai ter que aprender a se maquiar, usar sutiã, lidar com homens te cantando na rua como se você fosse um pedaço de carne. Ah, e logo vai ter que enfiar um OB na sua xerequinha por causa da menstruação.

Acho que eu deveria estar com medo, mas não estava. Até a menstruação me daria certo orgulho, porque é algo que só uma mulher de verdade pode passar. Quanto aos homens... bem, digamos que um OB não é a única coisa que eu quero experimentar dentro de mim. Só de imaginar, já sinto algo diferente.

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