Antes de sair, dei uma última olhada no espelho do banheiro. Era a primeira vez que eu estava completamente produzida como mulher: depilação, cabelo, maquiagem, lingerie e vestido. Gostei do que vi, o que foi um alívio. Na verdade, eu esperava me sentir desconfortável ou até ridícula.
Nunca tinha planejado isso. Eu era um homem comum de quarenta anos, com um problema de ereção precoce. Estava com dificuldade para manter ereções.
Em vez de recorrer ao método tradicional da famosa pílula azul, segui a sugestão do meu médico. Ele me falou de um estudo que prometia regenerar as glândulas, fazendo o corpo produzir hormônios naturalmente novamente. A promessa era recuperar a libido e a vitalidade de um adolescente.
Comecei a tomar as pílulas que me deram e, em poucos dias, senti a pele mais jovem, macia e brilhante. Isso me deixou com uma aparência mais nova e bastante empolgado.
Logo notei que não precisava mais me barbear todos os dias, minha voz ficou mais aguda e meus mamilos estavam bem mais sensíveis.
Semanas depois, as mudanças se tornaram mais evidentes: a gordura do meu corpo foi redistribuída para o bumbum e as coxas. Além disso, meu peito ficou inchado, parecendo até que eu tinha peitinhos de adolescente. Quando pensei isso em voz alta, soube que precisava procurar a clínica imediatamente.
Quando me apresentei, o médico ficou assustado. Fizeram uma bateria completa de exames na hora, e veio o resultado: minhas glândulas agora eram femininas e estavam inundando meu corpo com estrogênio.
A causa foi um erro nos controles do estudo. Na verdade, eu deveria ter recebido placebo — pílulas sem nenhum efeito. Mas, por falha no sistema, recebi o tratamento experimental feminino, destinado a rejuvenescer mulheres na menopausa.
Não era possível desfazer o que a droga já havia causado. Além das mudanças na aparência, a alteração no fluxo sanguíneo transformou meu pênis em tecido morto, que precisaria ser removido.
O médico me deu duas opções: parar o tratamento e começar a tomar testosterona. Isso não resolveria tudo, mas me deixaria menos feminino — eu nunca voltaria a ser o homem que fui. A segunda opção era continuar por mais algumas semanas e completar o processo. Essa seria a alternativa muito mais saudável para o meu corpo, e eu terminaria como uma pessoa completa: uma mulher.
Pensei por alguns dias e escolhi a segunda opção. Nunca tinha desejado ser mulher, mas era melhor ser uma mulher completa do que quase um homem. Uma cirurgia removeu meu pênis, revelando a nova vagina. Meus testículos, que agora funcionavam como ovários, foram reposicionados dentro de mim, onde logo começaram a desempenhar sua nova função.
Ao sair do hospital e voltar para casa, minha irmã mais nova veio morar comigo temporariamente. Ela me ajudou não só na recuperação física, mas me ensinou desde o básico tudo o que uma mulher precisa saber. Nos tornamos muito mais próximas, e hoje posso dizer que somos melhores amigas.
Hoje é o dia do teste final, a conclusão do meu “treinamento” para ser garota. Eu e minha irmã vamos sair para uma balada. Vamos beber, dançar e fazer amizades.
Ela me deu dicas de como lidar com os homens, porque, segundo ela, com a minha aparência eles vão cair em cima. Me ensinou como afastar um cara chato que esteja importunando e também como permitir que algum deles se aproxime. Fiquei sem graça, e ela disse para eu manter a mente aberta e lembrar do que sou agora: uma mulher bonita e gostosa e que tinha o direito de provar como é estar com um homem.
Ela tinha razão. Depois de tudo o que eu passei, merecia explorar tudo o que minha nova realidade me trazia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário