domingo, 30 de novembro de 2025


O ano é 2035, e os amigos Jonatan e Leonardo marcaram de jogar GTA 9 naquele sábado, como vinham fazendo há algumas semanas.

— Ei! Você não é um NPC. É um jogador, né? — perguntou Leonardo ao entrar no jogo e encontrar aquela garota de lingerie, com uma pistola na mão.

— Sim.

— Legal. Olha, eu combinei de encontrar o meu amigo aqui, para realizarmos algumas missões juntos. Quem sabe não quer se juntar a nós?

— Seria legal, Leo — respondeu ela com um sorriso.

— Leg... Como sabe o meu nome?

— É porque sou eu, seu tonto! O Jonatan.

— Jonatan? Mas por que você está com este avatar de mulher? Normalmente o seu é de um cara negro grandão.

— Eu não sei. Deve ter dado algum bug no sistema. Entrei normalmente e quando me dei conta estava assim, parecendo uma das prostitutas.

— Putz! Que saco. Vamos sair e reclamar com o suporte.

— Não! Até sairmos vamos perder muito tempo. Esperamos a semana toda para jogar, e não vou deixar um detalhe me atrapalhar.

— Bom, você é quem sabe.

— Vamos roubar este carro e nos encontrar com o resto da gangue. Soube que estão planejando um assalto a banco e seria legal participarmos.

— Eu topo. Vamos lá Jonatan!

-Só uma coisa, me chame de Jéssica. Para os caras não estranharem.

-Ok...


Eles encontraram o resto da galera e partiram pro assalto ao banco. Tudo correu dentro do esperado, exceto por um detalhe que Leonardo não conseguia ignorar: os caras estavam tratando Jonatan completamente diferente.


Davam em cima dele sem o menor pudor, jogavam charme, faziam questão de ficar na frente nos tiroteios pra “proteger a mina”. Os mais saidinhos já chamavam de “gostosa”, “delícia”, e teve até quem metesse a mão no bumbum e nos peitos do avatar. Como o GTA 9 usava interface neural full-dive, Jonatan sentia tudo: o toque, o calor, as carícias. E, pra surpresa de Leonardo… ele não reclamava. Pelo contrário. Agia de forma ainda mais feminina, rebolava, ria das cantadas, deixava chegarem junto. Parecia estar curtindo pra muito o papel de garota fácil no meio de uma dúzia de macho tarado.


Nas semanas seguintes, Jonatan começou a desmarcar os jogos com Leonardo. Sumia e dava desculpinha esfarrapada. Leo chegou a pensar que o amigo tinha ficado com vergonha daquele dia e largado o jogo de vez.

Mas numa noite, enquanto rodava sozinho pelo bairro das prostitutas em Vespucci Beach, um carro buzinou. Uma das meninas se aproximou rebolando, salto alto batendo no asfalto. Leonardo abriu a janela pra negociar o programa.


Ela se inclinou na porta do carro e quando ergueu o rosto…

— Jonatan?!

A garota deu um sorriso sem graça. Sem dizer uma palavra, entrou no carro do outro jogador e aceleraram sumindo na esquina.

Leonardo ficou parado ali, de boca aberta pensando no que acabara de ver.

O “bug” nunca tinha existido, né? Ou, se existiu, Jonatan gostou tanto que resolveu deixar pra sempre. Fosse como fosse, o amigo ainda entrava no GTA 9.

Só que agora… o jogo dele era outro. O prazer dele era outro.

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