sábado, 29 de novembro de 2025


 − Nossa, que noite! − pensou Rodrigo.


Ele ia se lembrando aos poucos: o bar lotado, a música alta, muita bebida e uma garota com seios incríveis dando em cima dele o tempo todo.


O resto estava meio nebuloso. Dança, beijos, risadas… Em algum momento ela fez uma piadinha sobre “como seria se eu fosse o homem e você a mulher”. Rodrigo, já bêbado, respondeu algo como: “Se eu fosse uma gostosa bonita como você, nem queria ser homem”. Ela caiu na gargalhada e sugeriu irem para outro lugar. Ele pensou em motel, no seu apartamento… mas não lembrava de ter chegado a lugar nenhum.


Ao recuperar um pouco mais a consciência, sentiu um peso estranho no peito. Passou a mão e encontrou duas bolas redondas, macias, pesadas. Seios. Seios enormes.

Abriu os olhos de uma vez. Lá estavam as montanhas na sua frente, e uma mão delicada, de unhas longas e bem feitas, pousada sobre um deles. Sua mão.

Levantou-se assustado. A tontura veio forte, e os seios novos balançaram com a gravidade, quase o desequilibrando.

Correu até o espelho na parede. O reflexo era o da garota da noite anterior. Só que agora era ele dentro daquele corpo.


− O que tá acontecendo?! − gritou, e a voz que saiu foi aguda e feminina.


Depois de alguns minutos de pânico, reparou nos papéis sobre a mesa. Um era um bilhete:


“Obrigada pela noite incrível, Rodrigo. Adorei o seu corpo e sei que você vai adorar o meu. Boa sorte!”


O outro documento era um contrato  com carimbo e logotipo de uma das clínicas de troca corporal que viviam fazendo propaganda na TV. Lá estava tudo: troca permanente de corpos, identidades civis, contas bancárias, bens e obrigações. Na última página, a assinatura dele e logo ao lado, os dados que agora eram seus: Viviane Almeida Santos, 26 anos, 1,68 m, 62 kg.


Ele começou a andar de um lado para o outro, nervoso. A cada passo os seios balançavam, pesados, impossíveis de ignorar. Entre as pernas, um vazio estranho, uma ausência que confirmava o pesadelo.


Sabia que tinha feito besteira. Uma besteira irreversível.

Daquele dia em diante não seria mais o Rodrigo, mas sim uma garota baixinha e peituda chamada Viviane.

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