Fabiana, a namorada do meu amigo Ricardo, estava atravessando uma rua com o trânsito parado quando um motoboy, passando rápido pelo meio-fio, a atropelou. Infelizmente ela não resistiu e morreu.
Ricardo mergulhou em semanas de profunda depressão, e eu tentava ajudá-lo como podia. Uma frase dele ficou martelando na minha cabeça: ele queria ter se despedido dela.
Como ele não tinha condições emocionais nem forças pra fazer isso, eu fui até o apartamento deles e comecei a organizar as coisas da Fabiana. Foi quando encontrei uma escova cheia dos fios de cabelo dela. Na hora veio a ideia. Coloquei os fios num saco plástico e fui até uma clínica que fazia alteração de DNA pra mudar completamente a aparência das pessoas.
Horas depois, quando saí de lá, eu era uma cópia idêntica da Fabiana. Usei algumas roupas dela que tinha pegado no apartamento. Me sentia muito estranho tendo seios, bunda grande e uma xereca, mas repetia pra mim mesmo que era por uma causa nobre: salvar meu amigo.
Quando cheguei no apartamento, Ricardo já estava lá. Ele quase teve um treco ao ver a namorada parada na porta. Demorou um tempo até ele superar o choque e conseguir raciocinar. Expliquei quem eu era e o que tinha feito. Apesar de dizer que eu não deveria ter ido tão longe, no fim ele aceitou a oportunidade de ter uma despedida com a Fabiana.
Nós nos sentamos no sofá, e Ricardo começou a dizer o quanto eu tinha sido especial. Como ele me... como ele amava Fabiana. As palavras eram muito fortes e, por mais que eu tentasse me lembrar que estava apenas interpretando um papel, elas me comoviam profundamente.
Então ele parou de falar, me olhou nos olhos, se aproximou lentamente e me beijou. Eu não tinha previsto isso e nem estava preparado. Pego de surpresa, fiquei sem reação. Sentia os lábios firmes dele sugando os meus agora delicados, e a sensação era incrivelmente boa.
Depois de alguns minutos de beijos e carinhos, meu corpo feminino estava quente e excitado.
Ricardo me pegou pela mão e, quando percebi que ele me levava para o quarto, tentei dizer que não podíamos fazer aquilo. Ele ignorou, me beijou novamente, me colocou na cama e começou a tirar minha roupa. Uma voz dentro de mim gritava para eu impedir, mas outra parte queria aquilo desesperadamente.
Nós transamos — ou melhor, fizemos amor — por horas. Foi lindo e profundo.
Na manhã seguinte, acordei ao lado dele. Ricardo me agradeceu com um sorriso, e eu disse que era melhor ir para a clínica. Precisava voltar ao normal.
Naquele momento ele pediu, depois implorou, para eu ficar como Fabiana só mais um pouco. Só por um dia. Era impossível dizer não para aquele olhar de cachorro abandonado, e acabei aceitando ficar só mais um dia.
Bom, já faz seis meses que isso aconteceu. Eu continuo como Fabiana, moro com o Ricardo e, honestamente, não tenho mais nenhuma vontade de voltar a ser homem.
Tentando ajudar meu melhor amigo, eu acabei encontrando a minha própria felicidade — como garota e como namorada dele.
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