— E aí, Paulinho? O que acha?
— Manoel? É mesmo você?— Sim! Mas agora sou Manoela. Não é demais?
— Cara, eu achei que...
— Achou o quê? Que eu estava brincando?
— Talvez. Ou que mudaria de ideia ao chegar à clínica. Mas você fez mesmo. Virou mulher!
— Você sabe que, quando eu meto algo na cabeça, vou até o final, né?
— Conheço você desde criança e sei que é assim. Mas achei que você estivesse só bravo porque a Priscila terminou o namoro. Pensei que esse lance de desistir de ser homem fosse passageiro.
— Confesso que pensei em voltar atrás. Mas aí pensei: com essa nova tecnologia, a gente pode mudar quando quiser, desde que tenha dinheiro suficiente. Então por que não passar um tempo como elas? Estar do lado dessas criaturas que sempre manipulam e fazem o que querem com a gente… e quer saber? Estou me sentindo incrível. Não posso passar em frente a um espelho ou qualquer lugar que mostre meu reflexo sem me admirar. Fiquei linda!
— Entendi. Mas e agora, o que vai fazer?
— Tô morrendo de fome. Que tal você levar esta gata pra jantar, hein?
— Sério? Quer jantar comigo?
— Claro! Já fizemos isso tantas vezes. Não é porque não tenho mais algo entre as pernas que a nossa amizade vai mudar. Se bem que, para ser honesta, talvez ela mude um pouco.
— Pode ser. Você agora é do sexo oposto, e não vai ser a mesma coisa.
— Não… mas pode ficar bem melhor.
— Como?
— Paulo, você é um cara bem bonito. Sou mulher e estou te pedindo para me levar pra jantar. O que acha?
— Quer dizer que isso é um encontro? Que a gente pode acabar…
— Não sei. Vamos ver o que rola…
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