domingo, 1 de fevereiro de 2026



— O que foi? Por que vocês estão me olhando desse jeito?

— Nada, Luís. É que ver a Sheila… quer dizer, você agindo assim…
— Eu sei. É estranho, né? Mas a terapeuta disse que a troca temporária de corpos seria a melhor forma de resolver os nossos problemas no casamento. Ela também falou que eu deveria, mesmo estando no corpo dela, manter minha rotina normal. É uma maneira de perceber como as coisas são diferentes e entender por que ela não pode ser exatamente como eu gostaria que fosse. Por isso, eu vou preparar o churrasco como de costume, enquanto a Sheila passa o dia com as amigas dela.
— Faz sentido, Luís.

Luís sabia muito bem que, na verdade, os amigos estavam olhando para o bumbum da esposa — agora o seu bumbum. Mas, curiosamente, isso não o incomodou. Pelo contrário: estando naquele corpo, o fato de chamar a atenção dos colegas o fazia sentir-se bem. Era bom para o ego dele.

Mais tarde, resolveu colocar um dos biquínis da esposa e dar um mergulho na piscina. Passou a provocar ainda mais os amigos, deixou os rapazes sem graça e deu até para notar um deles tentando disfarçar uma ereção. Luís só não imaginava que a brincadeira iria longe demais.

Depois do churrasco, muita cerveja e provocações, Luís e dois de seus amigos acabariam no quarto do casal. A esposa, que chegou sem que eles percebessem, viu o que acontecia por uma fresta da porta, saiu de casa sem dizer nada e não voltou mais.

Luís receberia uma mensagem dela à noite, dizendo que o casamento havia acabado. Disse também que, depois do que viu — o que o marido fizera usando o seu corpo —, ela não o queria mais de volta. Luís ficaria definitivamente no corpo da mulher.

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