— Pronto, Antônio. Você está livre para ir embora. O laudo médico chegou e confirmou exatamente o que você disse. Você não é a Raquel... é o Antônio.
— Ufa, até que enfim. E a Raquel? Já encontraram ela? Quando vão me colocar de volta no meu corpo?
— Infelizmente, não. Tudo indica que ela planejou cada detalhe. Roubou as joias, depois te drogou e pagou uma clínica clandestina para fazer a troca de corpos. Assim, ela conseguiu fugir do país. Já acionamos a Interpol e estamos tentando localizá-la.
— Mas e eu? O que faço enquanto isso não acontece?
— Fique tranquilo. O marido da Raquel está vindo te buscar. Ele vai cuidar de você até tudo se resolver.
— Não! Eu não vou morar com o marido dela!
— Não tem outra opção, Antônio. O juiz determinou que seja assim. Ele considerou o seu bem-estar, mas principalmente os dois filhos pequenos dela, que estão sentindo muita falta da mãe. Ou você aceita ir com ele, ou fica preso aqui até encontrarmos a Raquel e conseguirmos reverter a troca.
— E quanto tempo isso pode levar?
— É difícil prever. Normalmente, alguns meses... depende de quão bem ela apagou os rastros.
— Meses?!
— Pois é. E então? O marido já deve estar chegando. Qual é a sua decisão?
— ...Tá bem. Eu... vou com ele.
Meses depois. — Vamos, Raquel. As crianças já estão dormindo. — Paulo... A gente não deveria... Você sabe que eu não sou a Raquel. — Claro que não. Você é muito melhor do que ela como mulher, como mãe e como amante. — Isso é porque as crianças são uns amores. Você é um homem bom, inteligente, bonito e... tenho vergonha de dizer, mas é ótimo na cama. Não sei como a Raquel foi capaz de largar tudo isso. — Porque ela é uma idiota. Você é muito mais mulher do que a Raquel jamais foi. — Mas e quando ela for capturada? Eu volto para o meu corpo e ela vai para a cadeia. — Não precisa ser assim. Podemos negociar com o juiz e com ela. Em troca de uma redução na pena, ela teria que concordar em ficar com o seu corpo. — A-acha que ela aceitaria? — Bem, ela fugiu com o seu, né? Deve gostar de ser homem. Mas e você? Concorda com isso? — Com você me tratando assim, fica difícil dizer não. — Então está combinado. Agora deite-se no tapete, minha esposa! — Sim... Meu marido!
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